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12/30/2003

Desculpas 

O Disruptivo tem andado um bocadinho sossegado. Afazeres... Está na calha um projecto para o ressuscitar. Para já fica um link novo para descansar a vista: Alma de Pai. É de um amigo...

9/11/2003

Tenho vergonha! 

Não sei como posso ter tido tantos momentos felizes depois do 11 de setembro. Não sei como posso ter esquecido aquelas imagens e a infâmia que me provocam. Não sei como as posso voltar a esquecer até as ver de novo. Tenho vergonha...
Tambem tenho vergonha da minha imaturidade. Ver aquelas imagens provoca em mim o supremo desejo de vingança, de pôr em práctica o olho por olho. Aliás... olho por olhos - dente por dentes. Acho que a paga deve ser 100 vezes mais atroz e mesmo assim o alívio conquistado seria demasiado fugaz.
Choca-me e revolta-me a moderação com que os Estados Unidos e o ocidente reagiram aos atentados. Da mesma forma que cada vez mais me choca a brandura com que os judeus respondem aos atentados na Palestina.
Cada vez mais, há menos inocentes neste conflito. Já passou a altura de haver inocentes. Inocentes serão todos aqueles que se deixarem morrer pacificamente, com tudo o que isso tem de escandaloso. A culpa deixou de ser só dos terroristas da mesma forma que a culpa de um diminuido intelectual bater na mulher não é só dele. À primeira todos caímos... mas é preciso ser burro para cair à segunda, e simplesmente estúpido daí para a frente.
Não me chocariam ataques à escala dos atentados. Outros inocentes morreriam, sem dúvida... mas muitos desses inocentes são a massa vital da escalada de violência. São gente que sofre muito pouco com sanções económicas ou mudanças de regime. Vivem um ódio alimentado por uma religião de bases fracas e extremamente mal professada por fundamentalistas fechados.
Não quero impor o nosso modo de vida a ninguem, e considero-me uma pessoa branda. Mas não me pisem os pézinhos nem falem alto para mim. Quando chegar a altura, troco um dedo por um braço - é pedagógico... aposto que passo a mensagem.

9/06/2003

Não digo mas penso... 

Vai-me perdoar o caro leitor, que partilhe consigo esta incontinência cerebral, mas dá-me ideia que se desabafar me vou sentir muito melhor.

Tenho passado estes últimos dias entre estudos, algum trabalho e blogs. São três actividades que exigem alguma ginástica intelectual. Todas elas têm um retorno mais ou menos tangível (culturalmente). Todas elas competem pelo mesmo tempo e disponibilidade mental. Todas elas são necessárias e recorrentes.
Se ficar a ler blogs asseguro uma actualização de pensamentos comtemporâneos, afino opiniões, embalo-me nas diferentes formas de escrever e pensar, mantenho-me informado, e consigo fazer isto tudo da forma o mais lúdica e despreocupada possível. O resultado tem um efeito de curto prazo... quase libidinoso. São gritantes as parecenças com o sexo - o buscar ansioso das páginas preferidas, o aproximar de uma nova dose de prazer, que culmina num ou mais orgasmos, até que uma função primária nos acorde e vamos embora.
Se ficar a estudar procuro bases teóricas e aplicações diversas que me ajudem a domar o intelecto, que me permitam fundamentar novas análises ou refinar análises antigas. Pelo estudo ganho tambem o reconhecimento alheio (apenas a espécie banal do reconhecimento bem entendido). Uma vaidade cuidadosamente introduzida pela sociedade e que cada vez mais exige um reordenar de valores - haverá tempo para um post mais tarde mas fica já o título "Tu sem curso não parecias tão estúpido..." - mas que ainda oferece um benefício marginal positivo.
Se ficar a trabalhar o retorno mais directo é obvio e mede-se em euro. Por mais intelectual que o trabalho se possa tornar, e por mais estimulante que possa vir a ser, não há nada como um cardinal para onde possamos olhar e saber - sim senhor, estão-me a dar carinho... sinto-me respeitado!

Ora, se vou à procura de mais trabalho (para dar ainda mais expressão ao cardinal de que vos falava) fico com menos tempo para os blogs e para o estudo (isto parece uma conclusão trivial mas um economista ficava aqui uns paragrafos a divagar sobre restrições orçamentais e temporais, but i digress). Bom vai daí os meus amigos que lêm blogs ficam ofendidos comigo porque me estou a dispersar. E os meus amigos que estudam mais ofendidos ficam. Se pelo contrário estudo mais e leio mais blogs, são os capitalistas que se ofendem.
Mas vamos esquecer os amigos... eu sou o primeiro a sentir a falta de qualquer uma das ocupações, e o que custa é poder doseá-las a meu bel prazer. Que descanso seria ter um horário para trabalhar e não ter de pensar no assunto?...
Que fazer?
Por vezes é desesperante... acabo sempre por andar a tapar buracos - trabalho porque me comprometi, estudo porque tem mesmo de ser, e leio blogs porque já estou 4 dias atrasado!
É um problema real de escolha...

...e ninguem me convençe que se não tivesse estudado tanto ou lido tanta porcaria isto seria bem mais fácil...

Estou no bom caminho portanto!

O fácil dá-me peninha...

8/27/2003

Touradas I 

Estava sem grande vontade para escrever... preguiça... mas apanho por acidente na televisão (Sic Mulher - sou um tipo modernaço e anseio por informação privilegiada) um semi-debate sobre touradas. Luisa Castell-Branco tenta domar um defensor (que me escapa o nome) e uma opositora, uma Sra. Sampaio que tenho visto um par de vezes a defender os animais.
Porque é que lhe chamo semi-debate?... porque não se esmagaram os argumentos do aficionado! A senhora saiu do debate um pouco nervosa, e falhou na demasiado fácil tarefa de pôr o senhor a chorar. Enfurece-me isto.
Não queria pessoalizar demasiado mas o apreciador das touradas é no mínimo insensí­vel e ignorante. Tentar argumentar a favor de uma tortura absolutamente bárbara e desigual bradando palavras como bravura e respeito pelos animais só não me diverte porque é assunto sério, e um atentado ao mundo civilizado.
Um misto de chico-espertismo com enviesamento intelectual!
Vamos lá ver se eu consigo resumir uma tourada de forma clara. O homem amputa o animal das suas defesas. Leva-o para um sítio estranho de onde o animal não poderá fugir ou esconder-se, de forma circular (enfatizador de stress), pintado numa cor agressiva e que confundirá o bicho na sua capacidade de distinguir contrastes e o movimento. Depois faz uma de três coisas. A pega, o toureio a cavalo ou o toureio a pé (será isto?... close enough!). Na pega mete um grupo de forcados a provocar o bicho. Embrulham-se com muito cuidadinho nas suas ligas, protegem o abdomen e tentam pegar o animal. Eventualmente conseguem pará-lo. Pegam-lhe no rabo, agarram-se a ele, enfiam-lhe os dedos no focinho e ali andam achando que são muito valentes e que mostraram verdadeira coragem contra um bicho tão perigoso. Raios me partam... que tristeza! Se fossem 20 forcados era corajoso à mesma? e 50? Pronto, imaginemos que eram 3? ou um porque não? Não há coragem em nenhum dos casos. O homem distingue-se do bicho pela sua inteligência e pela sua capacidade de aprendizagem. Ponham os forcados no meio do mato 20 anos e depois levem-nos para a arena. Ou então troquem o touro por um leão. Já que estamos numa de disparate cortem as mãozinhas antes de começar a lide, tenham honra!
O toureio a cavalo... o homem monta-se num bicho mais rápido, mais leve e mais alto que o touro. O bicho em que se monta é treinado durante anos antes de ir para a arena. Já toureou bezerros, já aprendeu a esquivar-se, sabe que manhas usar e confia no cavaleiro. Andam ali uns minutos a espetar farpas no lombo do touro. Brilhante! Que coragem! Que destreza! Olha, e viram aquilo? O touro não se conseguiu desviar daquele passo que só foi treinado 300 vezes e levou com um ferro nas costas! OLÉ! Temos homem!
Passam-se umas horas disto e lá vem um homem a pé. Vai-se debater com um animal confuso, cansado e ferido. Leva uma mantinha contra qual o bicho vai investir e eventualmente mais um parzinho de farpas para lhe espetar no lombo. Ali anda a fazer o óbvio. A enganar o bicho... mas calma... este bicho é bravo, está a dar luta, não pensem que aquilo é fácil! Pouco importa... o desfecho é inevitável. É inevitável porque as pessoas assim o querem. Entreteem-se com o explorar da fraqueza de um animal. Não exploram a sua força! Muito menos a sua nobreza.
Se lhe explicassem como funcionava o jogo provavelmente o animal não quereria jogar, ou certamente que anteciparia a marrada, e agradeceria que não lhe tirassem os cornos!

Mas não... assim é que é interessante. O bicho não sofre. Foi criado só para aquilo. As pessoas que gostam de touradas adoram os animais, até têm 3 cães e tudo (para quando a lide dos cães?!).

O senhor do debate fez uma série de considerações sobre as pessoas que vão às touradas - nas touradas é que se vêem as mulheres bonitas e perfumadas!... enfim... fiquei esmagado!

Aguardo ansiosamente pelo dia em que toda a gente tenha de ir à escola e aprenda a respeitar-se como ser civilizado. Arriscava-me a adivinhar o resultado de um estudo sociológico/antropológico que tentasse relacionar literacia e quantidade de informação absorvida e gerada com um grupo avulso de defensores de touradas e com um outro de pessoas contra.
O anónimo que vibra com o sofrimento de um bicho não se deve entusiasmar com o estí­mulo de um livrinho. Digo eu, não sei... posso estar enganado!


Anti-Vaidade 

Sou um insatisfeito. A informação nunca me chega, nunca me é absoluta. Preciso sempre de um pouco mais. Inocente, não? Gastar num parágrafo duas palavras tão irredutíveis como "sempre" e "nunca". Gosto assim! Permite-me manter um canal aberto. Pessoas sem canais abertos demonstram pouca inteligência, argumentos viciados e tiques aborrecidos.
Nesta busca pela informação tenho lido livros, jornais, muitos blogs. Noutros tempos mergulhei na usenet. Realmente a usenet sempre teve o seu quê de especial sabendo onde procurar. Os tempos mudam e hoje um web log faz melhor. Tambem há tricas e vaidades, mas onde não há? Qualquer criatura que saiba parir um par de linhas ou articular um frase tem uma noção de ser e aparecer. Mesmo que de uma forma morbidamente subtil e incompreensível segundo os padrões da vizinhança.
Porquê este título então?
Um blog é um caminho para o crescimento. Tem uma posição clara no caminho: Eu observo A, percebo B, explico C... de onde observam D, percebem E...
O desafio de tornar pública uma opinião é um acto de anti-vaidade. Vou falar do que penso. Eventualmente será lido e dissecado. Criará simpatía ou repulsa, ou muito pior... indiferença!
É um namoro com o infinito excepto nós próprios. Um namoro é uma forma básica de nos conhecermos a nós próprios por sucessivas provocações de estimulos numa companhia. Ésses estímulos provocam uma resposta, ou não, e daí se aprende qualquer coisa. Formulam-se hipóteses, elaboram-se teses. Que mais tarde se testam noutro contexto... basicamente estamos a experimentar com o universo como devemos fazer para fazermos parte de algo superior. Isso requer coragem e humildade. Uma forma de anti-vaidade, digo eu...

Aproveito para recomendar um blog de alguem muito interessante. Descobri o autor na usenet e aprendi muito com os seus posts, tanto sobre ciência como sobre economia que são precisamente as áreas da minha formação. Ainda não o vi referenciado nos blogs que acompanho por isso aqui fica a dica: wundergeist . São reposições dispersas. Facilmente se encontra mais luz nos arquivos da usenet - busca no google, zona dos newsgroups, keyword: wundergeist. Um português nas américas...

8/24/2003

Intromissões I - Terrorismo e Fundamentalismo 

Eu, no essencial, concordo com as posições do JPP. Parecem-me posições estruturadas e coerentes, aliás, de quem já nos habituou aos seus pensamentos e convicções de há muitos anos para cá. A sua posição sobre esta temática do Terrorismo e Fundamentalismo é desde sempre uma posição conhecida. Não questiono (nem ousaria!) o seu conhecimento nem a profundidade com que aborda estes assuntos. Porém creio ser demasiado evidente o seu pro-americanismo que até a mim, pró-americano que sou, no que isso queira significar (pessoa que acredita numa sociedade que se rege nuclearmente por uma meritocracia, numa sociedade que protege os seus cidadãos sem os paternalizar ou sequer os passivar, onde o poder central exerce a sua intervenção essencialmente em questões de verdadeiro e determinante interesse para os seus cidadãos - Defesa externa e alguma interna, Política externa, Economia - mas que também tem a consciência que daí advêm alguns malefícios como alguma frieza social, alguma discriminação socio-económica) me provoca algum anti-americanismo. Gostaria de ler do JPP as críticas aos EUA, não só quanto a esta temática do Terrorismo e Fundamentalismo mas também acerca da sua influência generalisada sobre o tabuleiro Mundo e dos "Cheque-Mate!" que por vezes são dados a alguns países, com benefícios muitas vezes unilaterais...os deles!

8/23/2003

Estreia

Estreio-me hoje, nesta nova e recente era dos Blogues, para que em jeito de diário me possa debater, confrontar e reflectir sobre os vários assuntos que hoje e no futuro marcam a actualidade nacional e internacional.

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